O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, impediu na noite de segunda-feira que sua mulher, Ana Maria Amorim, tivesse a bolsa examinada por agentes do governo americano na entrada do hotel Waldorf Astoria, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros chefes de Estado se hospedaram nos últimos dois dias.
O incidente foi presenciado pelo Valor e ocorreu por volta das 21h30, quando Amorim e sua mulher voltavam de um passeio com o embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota. Eles entraram pelos fundos do hotel, que ocupa um quarteirão inteiro no centro de Nova York e foi cercado por forte aparato de segurança nesta semana.
Quando se dirigiam à escada rolante que leva ao saguão principal do hotel, Amorim e sua mulher tiveram a passagem bloqueada por um agente do Serviço Secreto americano que apontou a bolsa de Ana Maria e pediu que fosse submetida ao exame do aparelho de raio X instalado no local. Amorim irritou-se com o pedido do agente e reclamou.
” Sou o ministro das Relações Exteriores do Brasil ” , disse o chanceler. ” Acabei de estar num encontro com o presidente Bush nesta tarde. ” O agente explicou que a bolsa precisava passar pelo raio X mesmo assim. Amorim avisou que entraria pela outra porta, deu as costas ao agente e saiu com a mulher e Patriota.
Os três deram a volta no quarteirão e minutos depois apareceram na entrada principal do hotel. Desta vez eles foram direto para a escadaria e subiram sem olhar para os lados. O policial que estava a postos na entrada apontou a bolsa de Ana Maria e fez um gesto na direção de Amorim, mas teve sua atenção desviada por um homem que lhe pediu uma informação e deixou Ana Maria passar sem a revista.
A presença de dezenas de chefes de Estado no Waldorf Astoria fez a prefeitura de Nova York mobilizar um grande contingente de policiais e erguer várias barreiras ao redor do hotel na manhã de segunda-feira. Os aparelhos de raio X apareceram depois, pouco antes da chegada do presidente George Bush, que também se hospedou no hotel.
Não foi a primeira vez que um chanceler brasileiro foi submetido a constrangimento pelo aparato de segurança americano. Em janeiro de 2002, o então ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, foi obrigado a tirar os sapatos antes de embarcar no aeroporto de Washington num vôo comercial para Nova York. O governo brasileiro reclamou com o Departamento de Estado dos EUA. Mas Lafer precisou tirar os sapatos novamente ao embarcar em outro vôo.
Fonte: Valor Econômico, 26/9/2007.
Contribuição de Vitor Alevato.